Com mais saques, arrecadação líquida do FGTS em 2016 é a menor em 7 anos

Com o aumento de saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em 2016, a arrecadação líquida do fundo foi a menor dos últimos sete anos, em seu terceiro ano de retração. A diferença entre o total de depósitos e de retiradas da conta dos trabalhadores foi de R$ 10,1 bilhões, 29,21% abaixo de 2015.

Embora o volume de depósitos (arrecadação bruta) feitos pelas empresas tenha crescido 4,9% em 2016 – para R$ 119 bilhões –, o total de recursos sacados pelos trabalhadores no ano passado foi 9,85% maior ante 2015, o equivalente a R$ 108,8 bilhões, ajudando a reduzir a arrecadação líquida do FGTS.

Esse aumento acontece em um ano em que o País voltou a fechar uma grande quantidade de vagas de trabalho com carteira assinada, em meio à forte recessão. No ano passado, o Brasil perdeu 1,32 milhão de empregos formais, segundo dos do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Com o corte de vagas em 2016, o estoque de empregos formais no País caiu para 38,371 milhões, o mais baixo desde o final de 2011, quando 38,296 milhões de pessoas estavam em empregos com carteira assinada no País.

Em 2017, o resultado do FGTS será impactado pela liberação dos saques das contas inativas até 31 de dezembro. A estimativa do governo é que essas contas tenham R$ 43 bilhões depositados por 30 milhões de trabalhadores.

Demissões sem justa causa

A maior parte dos saques do FGTS no País tem acontecido por demissões sem justa causa, que têm ligação direta com o aumento da taxa de desemprego. Em 2015, as dispensas de trabalhadores foram o motivo de 51,3% das retiradas do fundo.

Outros 20,7% dos saques foram motivados pela aposentadoria de trabalhadores, enquanto 5,3% ocorreram para a compra da casa própria e 2,7% porque as contas ficaram inativas (sem receber depósitos durante 3 anos ininterruptos, pela regra vigente em 2015). O restante das retiradas ocorreu por motivos diversos como doenças graves e falecimentos. (AG) 

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